ENSP discute os desafios do Ensino Remoto na Pós-Graduação
Atualizado em 26/04/2021
O painel Desafios do Ensino Remoto na Pós-Graduação, apresentado durante o Seminário de Ensino da ENSP, em 20 de abril, contou com a exposição dos coordenadores dos programas de pós da Escola, e de Edméa Oliveira dos Santos, pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Para ela, "não podemos formar pesquisadores em massa, precisamos de mais do que conteúdo sistematizado, e sim encontro, partilha, cocriação, e isso só se faz em comunidade.” Então, “quanto mais aprendemos com o digital, mais podemos quebrar paradigmas, termos criatividade e fazer diferente", completou. Ela acredita que educação on-line não é evolução da Educação a Distância, e sim uma convergência bem trabalhada entre possibilidades pedagógicas síncronas com potencialidades pedagógicas assíncronas. “Precisa-se escrever artigo juntos, pensar projetos juntos.” Maurício de Seta, coordenador de Desenvolvimento Educacional e EAD/ENSP, mediou o evento.Edméa chama atenção que “dependendo de como acionamos a tecnologia podemos perder o foco de formar o pesquisador porque não podemos transformar a pós-graduação num grande ‘escolão’ e trazer prejuízos para sua formação.”
Ela explicou que ensino remoto é a transposição da matriz curricular presencial no mesmo tempo para o on-line síncrono, ou webconferência. “Quando a gente se encontra em tempo real levando a agenda que tínhamos para a web conferência. Ele lança mão de situações assíncronas, mas não são interativas, sem espaço de conversa, mas sim como repositórios ou de auto estudo.”
Já a EAD clássica, disse ela, é focada no auto estudo e na personalização, podendo desenhar currículos, mas totalmente a distância perde no conceito comunidades de aprendizagem, insuficiente na formação do pesquisador, quando não se tem grupos de pesquisa. Segundo ela, o que hoje começa a aparecer como ensino híbrido é a educação on-line, porque é o que se faz no presencial com mediação de tecnologia digital em rede no mix presencial a distância, mas também aquilo que podemos fazer a distância quando estamos geograficamente dispersos.
A editora-chefe da revista Docência e cibercultura acredita que as metodologias precisam ser sempre interativas, e não colocar o aluno no centro, porque o centro é a relação professor-aluno, conhecimento-objetos técnicos. “Se é para ter centro, na cibercultura, o centro é a rede e não um personagem ou outro.
De acordo com a pesquisadora, a educação como prática de liberdade não acontece apenas disponibilizando conteúdos de qualidade, pois só acontece dialogando, ouvindo as diferenças, então ela disse que adorou ouvir os coordenadores falando “o que seria de nós sem as secretarias, alunos e professores engajados e o apoio do centro de Educação a Distância nesse momento?” “Fiquei muito emocionada em saber que a ENSP conseguiu abrir o processo seletivo em 2020 e fazer mais mestres e doutores acessar a pós-graduação pública, porque eu acompanhei programas de outras instituições públicas se recusando a trabalhar nos quatro primeiros meses da pandemia, se recusando à experiência mediada pela tecnologia”, concluiu.
Coordenadores dos programas de pós-graduação da ENSP relatam experiências
O Seminário de Ensino foi a oportunidade para os coordenadores dos seis programas de pós-graduação da ENSP relatarem suas experiências nesse período de pandemia.
Além disso, “não se tem analisado de forma responsável as implicações da pandemia para os programas”, apesar das iniciativas da Capes que implementou a concessão de prorrogação de bolsas, abriu chamada extraordinária para mestrado e doutorado, auxiliou estudantes no Brasil e no exterior”.
Ela destacou no âmbito do fórum dos coordenadores da área de saúde coletiva estratégias de preservação da área e movimento de resistência. Então, em 2020 foi definido ano sabático, e a entrega do relatório de fechamento do quadriênio adiada para 31/05/2021.
As orientações para retomada das atividades de ensino no âmbito do PPGSP, em virtude da pandemia de forma remota, ficaram assim definidas:
No 1° semestre 2020 (agosto a novembro): 29 disciplinas, sendo 16 obrigatórias e 17 eletivas, mas 4 foram canceladas, então no total 13 eletivas. No 2° semestre (dezembro 2020 a março 2021): 24 disciplinas, sendo 4 obrigatórias, e 20 eletivas. Não houve oferta de disciplinas de verão e inverno.
Quanto aos desafios atuais, Marly enumerou o acompanhamento de diferentes processos de forma remota; continuidade presencial de alunos que ingressaram nas chamadas extraordinárias e regular e são de outros municípios e estados; aumento de pedidos de prorrogação para conclusão de mestrado e doutorado; apoio a discentes e docentes; debate sobre questões de desigualdades e diversidade étnico-raciais e de gênero.
Confira, abaixo, o vídeo do painel Desafios do Ensino Remoto na Pós-Graduação, no canal da ENSP no YouTube.